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Poemas

À MARGEM DAS PALAVRAS

Nem tudo tem palavras
para ao mundo se dizer.
São nada-verdades enlaçando-se
ao vir-a-ser
qual flores no deserto.

Faltasse à língua
o céu, o sol, a saudade,
seríamos, só, um quase
de ave sem as asas,
de água sem os rios.

No entanto, sabemo-nos ver
em sílabas que no céu desenham
estrelas e que injetam silêncio
por onde pisamos.

Ah, esse eco infindo
em cada amanhecer!
Em vão saltamos em seu perder-se.
Fosse um deus, um planeta distante
ou o lenho das unhas, justapor-se-ia,
qual seda, às estrias da garganta.

Bem longe dissolve-se
em ondas em si mesmo.
Ouvimos quando nada escutamos.
Nem tudo, pois, de si se perde,
tal como o desvestir-se do vento
nas areias do deserto.

Alcides Buss


EquipeDigital.com