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Poemas

AO RÉS DO CHÃO

Às vezes me pergunto
o que faz que se tenha grandeza,
não de poder ou de prestígio,
de riqueza tampouco,
mas a grandeza moral
de ver-se nos outros
ou de vê-los em si próprio.

Me pergunto e nada sei
a não ser o vago saber
de que bem poucos parecem ter
em si mesmos o sentimento
do mundo.

Medito. É cômodo ser assim.
É inútil perguntar-se
e a si próprio responder.

Vou às ruas, então, à espera
de que alguém consiga dizer
como chegar à grandeza
que, bem cuidada, salvará a todos.

Porém, ninguém se arrisca
nas palavras. Ao contrário, evitam-nas
e até fogem delas.

Ao fim do dia
retorno sem nada a meu quarto.
As paredes me cercam e limitam.
Sem a vida que lateja nas ruas,
sem a força dos rios, das árvores,
dos peixes, dos pássaros, das flores,
sem a concretude das rochas,
sem o vir e o ir-se dos ventos,
sem a lua, sem o céu
sou quase ninguém.

Esse quase, porém, ainda me faz
crer em algo de mim mesmo,
talvez nesse rodeio
que se chama mundo.

Alcides Buss


EquipeDigital.com