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Poemas

CARTA AO FIM DA GUERRA

Faz um século.
Centenas de milhares de jovens
não voltaram para casa.
Chamados à guerra, cumpriram a ordem
que do alto lhes foi dada:
de lutar e de matar
quem à frente se pusesse, os outros
a quem se deu, da mesma forma,
a ordem de lutar e de matar.
No obscuro sentido de existir,
mataram-se e mataram-se.
Pra amar uma mulher, erguer uma família,
conquistar a casa própria,
levar à escola os filhos,
disso tudo nada lhes foi dado
a não ser morrer por uma causa
ou, melhor, morrer, morrer apenas.
Assim, se eram mais,
a menos se fizeram, tal se um campo de papoulas
no auge rubro da estação
sumisse do chão ou sumisse de si mesmo,
deixando para o mundo
mal e mal um grito distante de silêncio.
Cem anos se passaram
e aqui, no estertor mudo da verdade,
me curvo à irrelevância do momento,
este momento em que, iludindo-nos
de indulgente permanência,
olhamos para trás e nada vemos.

Alcides Buss


EquipeDigital.com