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Poemas

O ESTORVO DA INFÂNCIA

Faz horas já que estou no século XXI
e de repente, sem motivo visível,
me vem às mãos um pedaço da infância
naquela cidade que ainda iniciava
aos pés da tríplice fronteira
Brasil Paraguai Argentina.

Assustado, mal sei o que fazer
com um pedaço distante da infância.
De tão antigo, devia estar morto
ou, no mínimo, esquecido.
No entanto, se mexe, se revolve
e, em fração de segundos,
se aloja sob as unhas,
depois sob a pele
e por fim se infiltra na corpo,
alojando-se na corrente sanguínea.

Sentado à mesa do café da tarde,
esforço-me pra mover os braços,
os músculos fendidos
na demasia do instante.
Com os copos, louças e talheres
mistura-se o pedaço da infância
na Tríplice Fronteira.

As roupas já não me servem
e, em vão, tento mover-me
em direção ao presente.
Há um século dentro de outro
e tudo que posso é render-me ao tempo
em sua incompletude permanente.

Alcides Buss


EquipeDigital.com