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Poemas

VENTO SUL

Ele chega assim, de repente,
com tudo. Num piscar de olhos
põe o mundo de joelhos,
arredonda o quadrado,
dá nó nos cabelos.

Apressado, não tem pressa
pra ir embora. Por três dias
azucrina as abelhas,
apavora os mosquitos.

Atrás dos óculos, se enrola
nos olhos. Nas ruas
esparrama barulhos.

Arrepia a copa das árvores,
nas janelas compõe melodramas
e, dos poetas e boêmios,
retorce a escrita e a língua.

Enfim, ao ir-se de tudo
não vai sem deixar lembranças:
sombrinhas quebradas,
ressacas no mar, redes perdidas
e gripes de amargurar.

Ventinho danado:
em alcovas deixa saudades,
reviradas cobertas, chinelos trocados.

Não é mau de todo
esse vento. Tem um lado
que é seu. Tem outro que é nosso.
Vai embora, mas sempre volta.

Alcides Buss


EquipeDigital.com