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DIÁLOGO SÓ

O século vinte depois de Cristo
já se afasta do presente,
afasta-se devagar, mas ininterruptamente,
com seus ladrilhos digitais,
suas têmporas magnéticas,
seus braços invisíveis.

Pra onde vais, ó século de tudo?

Ininterruptamente, desfaz-se
nos olhos que se fecham, nas vozes
que se apagam, nos braços que se rendem
por já não darem conta de si mesmos.

Pra onde vais, ó século voraz?

Revoluções de massa, duas guerras
globais, inexplicável holocausto,
genocídios, a vida sobre rodas,
aéreas viagens, a conquista da lua,
a cibernética, a aids, o dna, tudo
se afasta no carrossel dos dias.

Pra onde vais, ó século, sob este efeito-estufa
que nos espreme contra os números
e contra nosso acervo de livros e canções?

Tão rápido te afastas que já não vemos
os elos entre os fatos, os elos entre os povos,
os elos que faziam de um dia o outro,
do outro a miragem do eterno.

Pra onde vais, ó século de tudo, que já
não te ouço nos seixos milenares?

Apagam-se ao longe as luzes da ribalta,
retiram-se as sombras pouco a pouco,
um longínquo adeus imerge no silêncio
enquanto procuro meu lugar no mundo.

Pra onde vais, ó século futuro?

Alcides Buss

EquipeDigital.com